segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Nike e Racionais MC's

Sobre a polêmica entre a possivel parceria entre a Nike e os Racionais.

Parceria dos Racionais com a Nike: o que a periferia tem haver com isso?

P/ Hertz Dias

Acho interessante a polêmica que se construiu em torno da possível parceria Racionais/Nike e quero aproveitar o momento para lançar algumas reflexões. É indiscutível a importância que este grupo de rap teve e ainda tem para a juventude negra de todo o Brasil. Eu mesmo devo muito aos racionais pelo que eu sou hoje, inclusive em uma das músicas do cd do meu grupo rap eu falo ?meus heróis eu conheci no Hip Hop não na escola/ professor desinformado deturpou minha história/ ora bolas minha senhora ver se pode? / meus primeiros professores foram racionais e GOG? (Herói de Preto é Preto).
Há alguns anos atrás li um artigo, não lembro de quem, falando que o que o Hip Hop fez em menos de dez anos o que o movimento negro não conseguiu fazer em mais de vinte anos. O Hip Hop conseguiu dialogar com o setor mais oprimido, explorado e excluído da classe trabalhadora do Brasil, alias o Hip Hop é formado fundamentalmente por esse setor.
E é essa resistência e capacidade de despertar a indignação da juventude negra e formar intelectuais orgânicos na periferia que a racista burguesia brasileira quer dilacerar.
Em um documento escrito há cinco anos atrás eu dizia que o Hip Hop brasileiro cresceu e se fortaleceu a margem dessa tríade capitalista e que, infelizmente, o seu enfraquecimento político é resultado da inversão desta postura. Nos últimos cincos anos acompanhamos a aparição de diversos grupos de Hip Hop na Globo, encontros com o governo Lula, inúmeros projetos com prefeituras neoliberais e parcerias com empresas multinacionais, sem contar a avalanche de ONG?s especializadas em Hip Hop que se espalharam feitos pragas por todo o Brasil. O Hip Hop militante do nordeste virou pó institucionalizado, restando poucas organizações como o Quilombo Urbano que tenta reconstruir o Hip Hop militante e revolucionário desta região.
Quem tanto denunciou a opressão contra os pretos, se calou perante a vergonhosa ocupação do Haiti liderada pelo governo Lula a mando de Bush, silenciaram também sobre as ocupações da Força de Segurança Nacional em favelas, morros e bairros majoritariamente negros em todo o país. Falo isso em termos majoritário, pois as exceções só confirmam a regra.
No Maranhão chegou-se a dois absurdos emblemáticos a esse respeito: a completa ausência das ONG?s de Hip Hop e do Movimento Negro nos atos de denúncia do linchamento do artista Gero por policias militares e civis do governo de Jackson Lago e o mais recente e ridículo papel destas mesmas organizações na tentativa esvaziar e enfraquecer a 3ª marcha da periferia organizada pelo Quilombo Urbano para pressionar o Estado a estender seu braço social na periferia (quanto a isso ver matéria ?Governo e CUFA Versus 3ª Marcha da Periferia).
Em suma, em nosso entendimento, não é apenas financeiro o objetivo da Nike junto ao grupo Racionais, mas é acima de tudo político. Ao contrário da maioria do nosso povo, a burguesia tem consciência histórica, sabe se antecipar aos fatos, sabe se precaver. Eles sabem que as periferias de todo planeta viraram verdadeiros barris de pólvoras preste a explodir.
A França mostrou o caminho. A juventude negra e imigrante daquele país encabeçou um das maiores insurreições populares da sua recente história. Em maio de 2005 mais de quinze cidades foram paradas, inclusive Paris, e isso obrigou o governo a criar, sob o calor da insurreição, um programa de geração de emprego para aquela juventude, quando o seu objetivo era justamente inverso. Sabe qual foi à música acusada de ter insuflado aquela revolta? Isso mesmo, o rap!!! Logo em seguida o parlamento francês se viu obrigado a votar uma lei de censura a determinadas canções de rap. Veja que interessante: o Hip Hop embalando uma revolta vitoriosa da juventude das periferias francesas contra o neoliberalismo! !!. Na Grécia a também juventude de periferia está protagonizando novas e importantes revoltas populares. Esse fenômeno tende a se mundializar com a crise do capital.
Já imaginaram um Racionais, um GOG, um Facção Central, um MV Bill a frente de um processo como este. Um detalhe importante, salvo engano, acho que são poucos os países do mundo que tem uma periferia tão instável como a nossa. E a burguesia brasileira sabe que a nossas periferias respiram Hip Hop, só que eles também sabem transformar oxigênio em gás carbônico.
O momento que estamos vivendo é impa. Nossa geração nunca viveu uma crise econômica do capitalismo tão profunda e grave com a atual, talvez em proporções bem maiores que a de 1929. Segundo Gramsci, é nesses momentos que a burguesia utiliza a política do ?transformismo? , isto é, na impossibilidade de atender minimamente as necessidades básicas do povo pobre, ela opta por cooptar suas principais lideranças que tentarão legitimá-la junto aos pobres. A parceria CUFA/Globo/UNICEF não é atoa, assim como será atoa a parceria Racionais/ Nike, caso se consolide. Em fim, quanto maior a crise maior será a tentativa de cooptação.
Os Estados Unidos, durante o governo de Clinton, enfrentou uma crise de grandes proporções que afetou principalmente a população negra, latina e feminina daquele país e o que fez o governo? Simplesmente criou diversas ?secretarias simbólicas? com representantes desses setores, não para elaborar políticas para reverter a penalização de suas demandas sociais, mas para legitimar os ataques do governo. Entretanto, a questão, a saber, é até onde eles podem ir? Pois, as crises pressupõem também escassez de recursos e de fato muitas ONG?s estão quebrando em decorrência dela. Essa é a sinuca de bico que a periferia e seus organismos políticos se encontram afinal.
Assim que Lula assumiu, o intelectual e militante de esquerda, James Petras, anunciava que havia dois setores fundamentais que FHC não conseguiu controlar definitivamente durante o seu governo: um era os sem-terras e o outro era os favelados. Palmas para Lula!!!. A questão da reforma agrária simplesmente saiu da pauta, o MST recuou como nunca. No Maranhão estão mobilizando suas bases sociais em favor do corrupto e pró- agronegócio governo de Jackson Lago , mas não estiveram juntos aos professores na época que estes estiveram em uma heróica greve contra esse mesmo governo. Por outro lado, a política de assentamento do governo Lula é tão ridícula quanto à de FHC, mais de 90% do crédito agrário deste governo vai para o agronegócio, enquanto os pequenos agricultores endividam-se.
Em relação aos favelados, ao mesmo tempo em que o governo bate (com o fortalecimento do Estado policial) ele assopra (com o financiamento de ONG?s de Hip Hop). Infelizmente, a mais importante força política da periferia, ou seja, o Hip Hop é uma das principais vitimas do ?transformismo? da burguesia na atualidade.

É preciso Recompor as Forças

O Racionais já cumpriu seu papel político; despertou a consciência crítica de milhões de jovens negros e pobres deste país, o que não os isentam de críticas. Que eles optem entre viver de cabeça erguida com a periferia ou morrer de joelhos dobrados perante a burguesia.
Para a periferia o que está em jogo no momento é sua sobrevivência política. Tanto nós quanto o capital precisam recompor suas forças diante da crise e só um conseguirá ser exitoso. Para a burguesia, resta aumentar a exploração sobre os pobres, destruir direitos sociais, pressionar o governo a desviar verbas públicas para o setor privado e como remédio letal mais polícia para a periferia.
Segundo dados da própria ONU, o dinheiro que já foi desviado dos cofres públicos para salvar capitalistas falidos só durante essa crise daria para resolver o problema da fome em todo mundo por 16 vezes. No Brasil Lula já injetou mais 360 bilhões de reais para salvar banqueiros, latifundiário e demais capitalistas falidos, enquanto que na educação já promoveu um corte de quase mais de 2 bilhões de reais.
A saída da crise para a burguesia significará mais barbárie capitalista para a periferia. Não é atoa que no congresso está tramitando um projeto que autoriza as forças policias a adentrarem em qualquer casa sem mandato de busca. É evidente que isso já acontece na velha perifa, mas caso o projeto seja aprovado isso ocorrerá com mais freqüência. Esse é só mais um projeto de criminalização da pobreza que se ampliará com a crise.
Para a periferia e a classe trabalhadora em seu conjunto está colocada à possibilidade histórica de ruptura com o capital, não haverá saída por dentro das estruturas..
E para isso não nos resta outra saída a não ser organização política e coletiva. Como diz o rapper P.R.C. do Quilombo Urbano ?o coletivo é o bem maior/ antes junto do que só?. Que as organizações de Hip Hop retornem as suas bases sociais com urgência, que transformem suas ONG?s em movimentos sócio-políticos independente dos governos e do capital, pois as ONG?s nada mais é do que ?o braço solidário do imperialismo? para ganhar as bases sociais dos movimentos revolucionários para o Estado. Que os grupos de rap de ponta sejam mais solidários com a periferia de fato, na ação cotidiana e não só nas músicas. Que compreendam que são menores que as necessidades coletivas da periferia.
Permitir que os negros desabafassem culturalmente suas angustias, era a tática defendida nos sermões do reacionário Padre Antônio Vieira durante a escravidão, pois ele, sabiamente, acreditava que assim a possibilidade de revolta escrava seria bem menor. Será mesmo que o Hip Hop vai ser esse remédio terapêutico que o capitalismo tanto precisa nesse momento de crise para evitar que a bomba ?H? (humana) da periferia exploda em suas mão, eu particularmente espero que não.
É importante que entendamos que a periferia é bem maior que nossos amigos da ?Vida Loka? e que cada decisão tomada a partir de agora é como se estivéssemos aos 45 do segundo. Se seremos salvos e perdoados é outro assunto, porém não podemos deixar que nossos sonhos coletivos sejam crucificados por ?nomes estrangeiros que estão em nosso meio pra matar, M.E.R.D.A.?

São Luís-Maranhão- Brasil 20 de Dezembro de 2008.

Hertz é militante do Movimento Hip Hop ?Quilombo Urbano?, vocalista do grupo de rap Gíria Vermelha.

sábado, 29 de novembro de 2008

samba

O samba está no seu momento.Mas que momento é esse? De glória, já que todos os meios de comunicação resolveram falar, tocar, explicar sua origem e etc. Ou de imposição, pois estes meios tentam indiretamente dizer que se você não escutar o “samba de raiz”, você é mal visto, burro, boçal ou coisa parecida. Vamos nos render ao samba, aos bambas: Cartola, Noel, Nelson Cavaquinho & CIA.
Digo isso não porque eu não goste deste estilo, muito pelo contrário, eu sempre ouvi o samba, sendo ele de raiz ou não.
Mas é uma bela discussão, não acham?
Porque que temos de ouvir o “samba de raiz”, o que é samba de raiz? Quem não ouve é mal informado, anti-patriota? Será que se eu ouvir John Coltrane ou Marvin’ Gaye eu estarei por fora.
Com certeza galera, toda esta parafernália em torno do samba, não é à toa e rola muito lucro, grana mesmo. Pôxa, pq será que a “Lapa voltou a ser a Lapa” como alguns falam? Apenas pelo resgate da cultura carioca? Rsrsrs..... grande engano.
Mas deixa quieto né... Eu só to aqui pra futucar, incomodar.
Bjs

domingo, 14 de setembro de 2008

Que saudade

Outro dia eu estava convesando com uma amiga minha a respeito dos talentos que se foram, da época musical fantástica dos anos 50, 60, 70 décadas estas que eu não participei, até porque nem sonhava em vir ao mundo. Aí, ela me disse que eu sou muito saudosista, já que eu sempre fico me lamentando e questionando o porquê de não ter nascido no momento em que Tim Maia lançou o Cd Racional, o surgimento de Jorge Ben e sua viola, Elis entre outros gênios.
Hoje, eu fico numa busca incessante tentando encontrar algo de bom na música, e infelizmente não encontro quase nada. Oops injutiça! Existiu a Cássia Eller, maravilhosa, há tb a Zélia Duncan, Ana Carolina, Paula Lima, Tereza Cristina, Luciana Mello, jair Rodrigues, Ed Motta, genial, Simoninha, Max de Castro.
Mas, eu percebo que estes artistas fazem releituras dos cantores que citei no primeiro parágrafo, são cópias bem feitas, mas não deixam de ser cópias. Ou seja, ninguém cria, inventa nada... Será que a safra de artistas geniais brasileiros acabou? Ou eles estão escondidos, pior sem oportunidade de mostrar seus trabalhos?
É muito triste, pois existem os Mc's Créu e tantos outros do mesmo gênero que não têm o mínimo de respeito pela verdadeira MPB ou nem se dão conta de que estão comentendo este atentado.
É isso aí galera, momento saudosismo rrsrsrs..........Vou ficando por aqui.
Abraços inté.

domingo, 7 de setembro de 2008

Coisas de gênio incompreendido!!!

Ontem assistindo à mais uma edição do Programa Altas Horas exibido na Rede Globo, tive a oportunidade de ver as apresentações de Ed Motta e Frejat. Ambos mostraram seus novos cds, cantaram, responderam as perguntas do público e tal. No momento em que entrou um crítico musical, que me fugiu o nome agora, começou o estresse entre ele e o Ed.
O mediador e apresentador do Programa Serginho Groisman perguntou ao Ed o que ele achava dos críticos musicais brasileiros, e foi aí que tudo começou. Ele ficou totalmente irritado dizendo que pra ele é como se os mesmos fossem uns insetos desprezíveis, ou seja, seres insignificantes e que não entendem nada sobre música, técnica musical.
Por que será que ele ficou tão irado? Será porque o seu mais recente trabalho: Chapter 9 tem influências do rock, estilo este que ele fazia questão de detonar, e sendo assim, os críticos poderiam ter dito que apesar dele ter falado tão mal do rock’n roll, hoje ele bebe desta fonte? O Ed dizia que o rock brasileiro dos anos 80 imitava e muito o dos EUA e Inglaterra. Mas e o estilo dele, do próprio Ed? Também não é americanizado? Tendo em vista que ele continua bebendo/ navegando na fonte do JAZZ, R&B dos EUA? Logo, ele não pode censurar ninguém sobre isso concordam?
Não entendi porque ele permaneceu tão chateado, já que a crítica brasileira o respeita e muito, por motivos óbvios, pelo seu talento inegável.
É assim que o vejo como um sabe-tudo, um músico, estudioso, dedicado, enfim, completo. Embora um pouquinho nervoso rs...
Mas é isso aí galera.
P.S - Tomara que ele não leia este texto porque eu não sou redatora de nenhum jornal, nem entendida no assunto, e nem pretendo ser. Sou apenas uma estudante de nutrição e uma soprano amadora de um Coral Gospel. Desculpem os erros de português.
Bjão galera, fui!!!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

livro sobre Tim Maia

Olá galera.
Estou aqui mais uma vez pra falar de música.
Comecei a ler o livro Vale tudo - o som e a fúria de Tim Maia do Nelson Motta. Tenho certeza que este livro promete histórias curiosas, fantásticas, pois envolve nome de gênios como Wilson Simonal, Jorge Ben Jor, Erasmo e Roberto Carlos, bom estes nomes são os que já li só nas primeiras 33 páginas....
Eu sou suspeita pra falar do Tim, pois apesar de infelizmente não ter visto os seus tempos áureos ou de auge, como o Tim Maia Racional, eu simplesmente o amo, adoro este artista espetacular. Ele é e sempre será pra mim, o maior cantor do Brasil e com certeza um dos grandes nomes da Música Black.
Tá aqui o meu recado, leiam por favor este livro, todo brasileiro tem o dever de conhecer a história deste grande nome.
Beijocas fui, inté.............

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Música

Existe algo mais interessante e cativante que a música? Eu mesma respondo acho que não. Se pudesse eu iria viver, respirar, me alimentar somente de música. Ela me satisfaz, nutre meu ego, me deixa feliz, livre de qualquer pensamento ruim, negativo. Enfim, já deu pra perceber qual será o tema deste blog né... Isso mesmo, sempre vcs verão algo escrito aqui sobre ela, a música.
É isso aí galera.
Bjs grande e paz!